22.03.2019

Starbucks uma empresa baseada em pessoas e humanidade

  • Home /
  • Blog /
  • Starbucks uma empresa baseada em pessoas e humanidade

Durante minha última viagem aos Estados Unidos, entre Dezembro de 2018 e Fevereiro de 2019, para uma temporada de estudos e ao mesmo tempo aproveitando férias com a família, tive a oportunidade de viver e aprender coisas maravilhosas, e uma delas foi a de ouvir o CEO Howard Schultz em sua palestra no Campus da ASU – Arizona State University.

Eu tenho dito em alguns artigos que escrevo e também em minhas reuniões de trabalho, sobre a importância do capital humano dentro das empresas. Mas ouvir as palavras do Howard Schultz só reforçou o meu pensamento sobre a relação negócio x pessoas. Quero aqui compartilhar o que aprendi com ele e falar um pouco sobre a história deste executivo que mudou o rumo do Starbucks, uma empresa hoje com 30 mil lojas em 77 países. E o mais cativante: com um time de profissionais que são vistos não só como trabalhadores, mas também como membros de uma família.

Howard Schultz comprou o Starbucks há 30 anos, uma empresa pequena, com foco no segmento de café, que passava por uma crise financeira e por esse motivo estaria sendo vendida. Schulz trabalhava na empresa e resolveu fazer uma oferta pelo Starbucks. Sem a quantia suficiente para fechar o negócio, conseguiu um prazo de 60 dias para levantar o dinheiro, e no final deste prazo conseguiu não só o valor necessário, mas novos investidores que também acreditavam que o caminho do sucesso para o Starbucks seria a valorização das pessoas e dos consumidores.

Em suas palavras Howard Schultz diz que uma empresa deve acreditar na humanidade e nas pessoas, e defende que pertencer é um direito humano básico e que deve ser concedido a todos os membros de uma empresa e sociedade.

Com esse objetivo uma das primeiras coisas que fez ao assumir o Starbucks foi a de pensar em como seria possível elevar a auto-estima de cada pessoa daquela empresa, independente do cargo que ela ocupava. Isso deveria ir além de um seguro saúde. Acreditava que as pessoas, independente do cargo, do trabalho ou do status, deveriam ser respeitadas no ambiente de trabalho, principalmente pelos profissionais que administravam e lideravam essas equipes.

Durante esta palestra Howard Schultz repetiu muitas vezes sobre dignidade do trabalho e para ele isso significa RESPEITO.

A ideia era ter uma empresa que conseguisse equilibrar a questão frágil do valor dos acionistas, com consciência, benevolência e responsabilidade para as pessoas. Como resultado, conseguiu construir uma empresa onde as pessoas acreditam nela.

Nessa experiência empreendedora, Schultz diz ter aprendido que nem todas as decisões de negócios são econômicas. Toda decisão de negócio deve ser estruturada, com um propósito e uma razão de existir. E a principal razão de existir da empresa dele não era apenas fazer dinheiro. Este seria um objetivo superficial. O motivo dele era bem maior, mais ambicioso, e nada teria dado certo se ele não dividisse o sucesso com as pessoas.

Com tantas ideias inovadoras para aquele momento, muitos não acreditavam neste tipo de empresa, na qual uma nova consciência sobre capitalismo estava sendo discutido, e a dignidade do trabalho e preocupação social eram as novas temáticas da vez.

A ideia não era de criar apenas um trabalho social no Starbucks, o principal objetivo era elevar o nível das pessoas, e criar uma empresa onde os profissionais pudessem participar do sucesso do negócio e assim elevar o senso de humanidade no Starbucks.

Para Schultz a organização tem medo de lutar por princípios como esses, porém ele não teve, pois sabia que estava fazendo o que é certo, e que teria apoio durante essa jornada.

Há muitas palavras que poderiam definir o mundo dos negócios, como por exemplo, amor, humanidade, compaixão, empatia, palavras essas que muitas vezes não são ensinadas em universidades, mas necessárias quando você cria uma empresa baseada em pessoas. E qual companhia hoje no mundo não é baseada em pessoas? Howard Schultz acredita que é preciso ter coragem sobre suas convicções para liderar com seu coração não somente quando está ganhando, mas quando há resistência em suas ideias.

Meu desejo ao compartilhar essa história era de servir de inspiração para líderes que desejam lutar por uma empresa mais humanizada.

Howard Schultz teve uma infância muito difícil, ao mesmo tempo teve ao seu lado uma mãe que acreditava que ele venceria, e que conseguiria fazer uma faculdade. Quando falamos do papel do líder em uma empresa, também temos muitas pessoas que estão ajudando esse líder e apoiando seu desenvolvimento, assim como com Howard Schultz.

Muitas empresas investem em suas lideranças, com o objetivo de que eles alcancem seu pleno potencial em liderar e consigam fazer o melhor pelo negócio e pelas pessoas.

Schultz fala que apesar do terno e do sucesso em sua carreira, ainda sente medo de falhar, tem cicatrizes e vulnerabilidades, inseguranças, e é por isso que tem compaixão e empatia pelas pessoas.

Por fim, uma lição muito valiosa para todos que ocupam uma cadeira de liderança é sobre humildade, sobre ajudar pessoas, sobre ouvir sua equipe, sobre aceitar ajuda para se tornar um profissional melhor. Todos nós temos a oportunidade de ajudar alguém, se pudéssemos fazer isso todos os dias, não teria tanto espaço para o egoísmo. Não haveria tanto ódio e medo dentro das organizações. Todos nós temos a oportunidade de construir ambientes organizacionais mais felizes e humanizados. Não somos pessoas perfeitas, nem mesmo Howard Schultz é um líder perfeito e nem mesmo o Starbucks é uma empresa perfeita. Talvez essa excelência seja alcançada apenas com o simples início de sermos responsáveis pelo nosso pedaço de um todo.

Resultado de imagem para palestra ceo starbucks in ASU ARIZONA STATE UNIVERSITY
Former Starbucks CEO Howard Schultz (esq)

Veja também

Por que me sentir incomodado é bom profissionalmente
22.03.2019
ENTUSIASMO NEGATIVO versus ENTUSIASMO POSITIVO
30.07.2019
Como as pessoas bem sucedidas melhoram?
22.03.2019
Como ir do bom para o ótimo com um processo de Coaching Comportamental?
07.05.2019